A situação aqui é semelhante a muitos outros países. Já estávamos ouvindo sobre a transmissão do vírus no mundo, e como um Tsunami, estávamos esperando que aqui chegasse. Antes de ser declarado o lockdown, já estávamos tendo alguns cuidados. Foi em Janeiro que tudo realmente começou por aqui, como no mundo. E quando começamos a ter medo.

Somos dois adultos e duas crianças em casa. Apartamento de dois quartos em um condomínio onde temos um pequeno largo para andarmos e uma pequena piscina, que por enquanto ainda pode-se usar. Meu marido raramente sai para trabalhar. Como trabalha em um canal de esportes, e esta área esta mundialmente parada, não há quase trabalho. Eu já trabalhava de casa e a nossa filha mais velha continua com aulas online.

Hoje já são 75 dias de isolamento. E quando falamos de isolamento no Qatar, falamos a sério. Tudo mesmo fechado, inclusive lugares abertos como parques. Sobram as calçadas para caminharmos.

Somos obrigados a sair usando máscaras. São permitidas até três pessoas dentro do carro e todos de máscara.

Nesta última semana, fecharam ainda mais o comércio. Só mesmo o essencial permanece aberto. À entrada dos supermercados medem a temperatura. Recebemos luvas (já estamos de máscara), e um carrinho desinfectado na hora por pessoas que estão ali só para isso, o dia inteiro. As clínicas médicas apenas podem atender emergências.

As medidas para quem não cumprir com as regras, são multas altíssimas, prisão e para os estabelecimentos, o fechamento.

Doha. E eu que sonhava em pegar a estrada vazia assim…

Em alguns lugares, foram colocados pequenos robôs com câmeras e alto falante avisando sobre o distanciamento, para além das câmeras de vigilância e policiais em todos os lados, que antes já haviam, agora mais.

Fomos obrigados a instalar um app no nosso telefone que detecta se estivermos a menos de 1,5m de distância de alguém. Esta app envia um alerta a todos os “envolvidos”. No caso de alguém que tenhamos estado mais perto do que o distanciamento de segurança, ser infectado, recebemos um alerta para nos isolarmos. E aí por diante, mais ou menos assim.

Quase não há voos, e o que há é só de ida. Ninguém entra aqui. Só se for qatari e estes, ficam de quarentena.

Há informações e um número de telefone dedicado para o Covid-19. Os casos aqui de infectados nas últimas semanas subiram muito, em função dos trabalhadores que vivem em alojamentos, muitos em um mesmo cubículo. São mais de mil por dia, segundo os dados publicados.

O número de mortes parece ser baixo (espero que sim), mas como tudo aqui deve parecer maravilhoso… O facto é que muitos trabalhadores sumiram. Muitos voltaram para seus países porque perderam emprego. E isto em várias áreas.

Mas também é fato, de que não se houve falar muito em despedimentos de trabalhadores qualificados. Mas têm acontecido. E a previsão é de que aumente.

No início, faltaram algumas coisas, como álcool em gel, mas logo normalizou e hoje tem a venda em qualquer lugar (aberto), máscaras e desinfectantes. E até onde sabemos, todas as medidas de prevenção têm sido tomadas pelo país e o sistema de saúde tem dado conta.

Eu e a máscara

Nos sentimos cansados. As crianças sentem falta de brincar com outras crianças, de irem ao parque. E até de ir ao shopping, coisa que não gostavam. Mas até que têm lidado bem com a situação.

No entanto, temos consciência de que estamos mais protegidos aqui do que estaríamos em outro país mais “liberal”. Difícil ter a certeza…

Não temos previsão de nada. E vamos ter que passar os meses mais quentes aqui, de junho a setembro. Aí sim, estaremos isolados, porque sair a rua só a noite e olhe lá. Com as temperaturas pelos 50 graus durante o dia (as vezes mais, as vezes um pouco menos, e a noite não baixa quase nada)… Antes íamos na casa de alguém. Recebíamos algum amigo em casa. Íamos ao shopping onde as crianças brincavam naqueles brinquedos em que temos que pagar…

Mas temos que nos agarrar no agora. Sermos gratos por estarmos com saúde e de termos um salário no final do mês. Isto é uma grande fortuna!

Seguimos!